Iniciante RPG : Donas de Casa que jogam WoW
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1 – Criando o personagem
O processo de criação do personagem é, às vezes, o mais complicado. Pode, pra quem gosta de criar coisas mais completas, fechadas, ou simplesmente bem feitas, ser mais difícil do que ser healer em Heroic. Mas isso não pode intimidar, porque o resultado é mais épico que solar o Lich King.

1.1 – Escolhendo o nome do personagem
Ah, o nome. É complicado por tantas razões. Às vezes o nome já foi pego no servidor, às vezes você não acha o nome perfeito pro seu personagem. Mas o nome é tão importante quanto a criação. De tal forma que é uma das coisas que pode te impedir de criar personagem no jogo. =P
Algo a se ter em mente é que as raças tem sua própria personalidade. Uma boa dica pra saber a personalidade da raça é olhar suas construções, seus sotaques e mesmo as dicas de nome do jogo na criação. Dificilmente você verá um Troll chamado Christopher. Tente imaginar o quanto falar um “ph” para quem tem aqueles caninos pode ser complicado. O mesmo nome não combinaria para um Tauren, que são visivelmente baseados em tribos indígenas americanas. Caberia para um Tauren um nome com algum significado, como “Vento suave” ou algo assim. Por outro lado, este nome combina muito bem com Humanos ou Worgens (que são, essencialmente, humanos).
A classe influencia o nome também. Não faz muito sentido colocar o nome “Vento suave” em um Tauren Warrior. Se tem algo que um Warrior, portando um machado de duas mãos que poderia abrigar uma família de gnomes e usando full plate não é, é suave. Já um shaman healer, serviria muito bem.
Elfos e anões basta pegar o livro Silmarillion (J. R. R. Tolkien – O Senhor dos Anéis) que tem zilhões de nomes ali. Gnomes e goblins sempre tem algo a ver com partes mecânicas, e assim vai. Ver o nome de heróis das raças ajuda bastante também.
Na falta total de idéias, pesquisem nomes em sites de nomes para bebês. É impressionante o número de idéias que existem.
Algo muito importante: pense em nomes em inglês, se for para fazer com algum significado. O servidor é americano, e a língua falada é inglês. Tem que fazer sentido ao ler, mesmo que não usemos inglês dentro da guilda.
E, para finalizar: não usem nomes xulos, ou que sejam ofensivos. Nomes como “bonitinha” e coisas assim (não quero citar algum que já exista, nem dar idéias) não fazem sentido em absoluto nesse estilo de jogo, certo?

1.2 – Escolhendo a personalidade do personagem
Eis um tópico difícil de resolver. A personalidade sempre foi uma das coisas mais difíceis em qualquer RPG, seja mesa, seja online. Existem duas formas mais ou menos fáceis para quem está começando e se preocupa com a coerência do personagem: a pessoal e a da classe.
A “pessoal” é aplicar sua própria personalidade no personagem. Assim, a chance de vc errar é menor, mas a liberdade de interpretação é bem restrita. Mas é uma forma simples. Só que os personagens todos terão muita semelhança entre si e a criatividade é deixada de lado, o que é ruim.
A “classe” é mais complexa do que a anterior, mas ainda mais simples do que ser totalmente novo. é pegar o estereótipo da classe e aplicar no personagem. Paladinos são sempre prestativos, Priests são solícitos e Rogues não são confiáveis. A maior vantagem de usar a classe é que abre o leque de interpretação, e se você pensa em interpretar um tipo específico de personalidade, escolhe a classe de acordo.
Esta segunda forma é, aliás, uma excelente forma de criar personalidades. Tente partir daí, se quiser algo único. Um Paladino é sempre solícito? Sim e não. Ele está aí para servir ao próximo, mas um Paladin Holy tem uma visão diferente de um Retribution, certamente.
O importante é sempre tentar descrever as linhas gerais da personalidade do personagem, e usá-las sempre como um guia. Se seu personagem é gentil com todos, não significa que ele vá ser gentil sempre com a outra facção, por exemplo.
Tenha sempre em mente que a personalidade PODE mudar com a evolução do personagem, e isso fica interessante ao transmitir isso pro jogo. Vingança seria um excelente motivo para um Priest Holy virar um Priest Shadow, por exemplo.

1.3 – Visão das outras raças e facções
Todos temos nossas idéias e preconceitos (bons ou ruins) sobre outras pessoas, nações, povos. Um personagem não é diferente. UM Night Elf dificilmente confiaria em um Blood Elf, dada a história entre eles, e um Tauren Paladin não confiaria cegamente em um Forsaken Warlock. Então fica a pergunta: como seu personagem vê cada raça, ou até como ele vê cada classe.
Vale lembrar que é a visão geral do personagem. O Night Elf em questão poderia trabalhar com um Blood Elf se as circunstâncias assim exigissem, ainda que ele não confie, por exemplo. Um Goblin e um Gnome poderiam trabalhar juntos em algum invento interessante.
Acho que não preciso lembrar que esta visão do personagem tem que ser compatível com a personalidade dele, certo? Um priest holy pode não confiar cegamente em qualquer um, mas deve acreditar que todo mundo tem algo positivo dentro de si.

1.4 – A aparência do personagem
Sim, podemos criar os personagens com a cor que queremos, rosto e cabelo, mas e se ele tiver uma cicatriz na face? Ou ele mancar por conta de um acidente na infância que prejudicou seu movimento? Ou ele não ter um braço? É aí que entra a descrição da aparência.
Aqui cabe levar em conta diversos fatores sobre as raças. Um Tauren baixinho sempre será maior que qualquer goblin. Um Gnome sempre será pequeno, com cabelos rebeldes e bizarros, e mesmo o maior deles não deveria sre confundido com um Dwarf.
Claro que qualquer marca como cicatriz, andar mancando e afins precisam de um motivo, uma história. Às vezes pode até ser um segredo, ou algo esquecido pelo personagem, mas é sempre bom deixar esta parte coerente com a sua história.

2 – Inserindo ele na história
E aqui aparece o maior problema para quem não sabe inglês, não tem paciência para ler muito, não sabe onde procurar ou todos os três. A história do jogo Warcraft é muito grande, muito extensa, com muitos personagens importantes. Não difere do tamanho da obra de Tolkien, por exemplo. Mas, sinceramente, para quem quer jogar RP, vale o esforço!

2.1 – Idade e eventos mundiais
Cada raça tem suas características que vão além do tamanho e cidade original. Um elfo, seja Night Elf ou blood Elf, pode viver por muito tempo. Na verdade, eram imortais, mas não vou entrar em detalhes aqui, já que a idéia é que todos procurem um pouco e conheçam mais sobre as raças.
O que quero dizer com isso? Ora, um humano não viveu, necessariamente, na época da invasão da primeira horda, na abertura do Dark Portal. Se viveu, ou era criança e hoje é um adulto, ou então era adulto, lutou na guerra, sobreviveu e hoje é mais velho e, como tal, deveria ter uma aparência de velho. Não faz sentido querer criar um humano rogue adolescente que assistiu ao assassinato do rei Liam de Stormwind na primeira guerra.
Mas isso não limita. Por exemplo, um elfo poderia ter vivido nesta época. E mais, o mesmo elfo poderia ter visto o Sundering, um evento épico onde Sargeras “descobre” Azeroth, Deathwing recebe este nome (sim, ele tinha outro nome) e os continentes foram separados. Sim, tudo de uma vez. E um  Draenei poderia ter nascido bem antes disso. Velen, por exemplo, já estava vivo (e não era novo, diga-se de passagem) quando Manoroth apareceu.
Então, ao escolher uma idade para seu personagem, tenha em mente os eventos que aconteceram anteriormente, e quando aconteceram. E assim, veja onde estaria o personagem na época, se ele vivenciou, soube, ou não soube em absoluto o que aconteceu. Não é vergonha um personagem não saber da queda de Lordaeron. Lembre-se, não existia twitter na época! E lembrem-se que os Hobbits não sabiam de Sauron até Gandalf não ter mais como esconder.

2.2 – Importância do personagem para a guilda, raça e universo
Então seu paladino é braço direito de Varian Wrynn. Certo. Ah, entendi errado, é o irmão dele! Então como você é um desconhecido em Stormwind?
Tenha sempre em mente que não é proibido ser relacionado à alguém importante, mas lembre-se que há um bom motivo para não ser conhecido por isso. Seria um meio irmão de Wrynn? Talvez alguém que ele não reconheça porque não sabe mesmo, ou porque não quer. Pode ser um anão shaman do clã Bronzebeard, mas era alguém realmente importante na história do Warcraft?
Um líder de guilda seria conhecido de alguém dentro de Stormwind, por exemplo. Isso pode ser usado, e até encorajo. Mas vale lembrar que hámais gente que não gosta desses “exageros” do que quem gosta.

3 – Interpretando o personagem
Ok, personagem criado. O mais difícil de imaginar já foi. Mas agora vem o dia-a-dia. Manter o personagem fiel ao que você criou pode não ser tão difícil quanto criar todo o personagem, mas isso não significa que seja fácil. Mas é a parte mais estimulante, geralmente!

3.1 – Siglas e convenções básicas para representar
RP – Role Play. Acredito que, se vc quer fazer, deve saber o que é, né? Mas é a definição de interpretação de papéis.
On/Off – Direto do mundo do RPG de mesa, você está “on character”, ou seja, interpretando, ou “off of character”, não interpretando. Geralmente não existe off em servidor RP, mas isso pra quem faz RP pra valer nos servidores.
OOC – “out of character”, a mesma coisa que acima. OC, portanto, é “on character”, certo?
Falando fora do personagem – tudo o que o jogador escreve no jogo é, a princípio, o que o personagem fala. Então, cuidado com o que digita. Se quiser falar algo OOC, coloque destacado de alguma forma. A forma mais comum são os textos ((entre parênteses duplos)), (parênteses simples) ou [colchetes], variando de servidor para servidor. Serve para perguntar algo que não faz sentido dentro do jogo, como falar sobre futebol, perguntar de onde o jogador é e se pode chamar para guilda. O ideal é sempre fazer isso como personagem, não como jogador, mesmo para falar sobre divisão de loot e tudo mais. Criatividade é o que importa!
Metagaming é quando seu personagem sabe de coisas que ele não deveria. Por exemplo, porque um rogue troll saberia que o Lich King era um paladino? O jogador pode saber que determinado personagem sofreu um acidente na infância, mas seu personagem tem como saber? Então, enquanto interpreta, tenha em mente o que o personagem sabe. Isso vale para nomes também!

3.2 – A influência da classe na personalidade
Isso foi coberto na criação do personagem, mas na hora de interpretar ainda vale, e muito. Não adianta vc dizer que seu personagem sempre ajuda os outros se, enquanto joga, isso não acontece. O mesmo vale para quando você tem um personagem que não confia em ninguém e, por conta de ser personagem de um amigo, vc faz o seu confiar prontamente. Interpretar a classe é, talvez, mais difícil do que definí-la. Tenha sempre em mente o que você criou e a relação que seu personagem tem com outros!

3.3 – Interagindo com outros personagens
Trate bom os outros jogadores e será bem tratado. Isso vale para qualquer servidor, qualquer jogo. Bom, até na vida real isso vale, às vezes. Mas lembre-se que seu personagem, ou o do outro, pode não ser educado. Lembre-se sempre que pode ser apenas o personagem que é assim. Não ache que, só por que aquele Rogue tentou roubar seu dinheiro ou te enganar que o jogador é assim. Pode ser apenas característica do personagem.
Tome cuidado ao entrar em um cenário de outro jogador, nem sempre permitem gente de fora nas histórias. O ideal é, se você quer interagir com aquela linha de jogo, mande um whisper para quem parece estar guiando (mestrando) o jogo perguntando se pode participar. Sempre educadamente, seja na pergunta, seja não sendo aceito.
E, acima de tudo, não diga a ação do outro personagem. Você não pode dizer “meu personagem te deu um soco, e você caiu no chão”. Diga “meu personagem tentou te acertar um soco”. Você diz o que seu personagem faz, não o que os outros fazem. Nem quando é você mestrando o jogo.

3.4 – Coerência com o cenário
Seu personagem não fica feliz quando seu time favorito faz um gol. Na verdade, seu personagem sequer sabe que existe algo chamado futebol, nem que ele é controlado por você. Seu personagem não vê as horas eu seu Rolex, não existe isso em Azeroth, nem mesmo em Outlands.
Azeroth passou por duas guerras, algumas raças quase foram aniquiladas, outras conseguiram recuperar suas terras natais. Tudo isso influencia a forma que o personagem age dentro do jogo. Um caçador provavelmente ficaria à vontade nas florestas de STV, mas dificilmente um mago ou um warlock ficaria, a menos que ele tenha, em seu histórico ou personalidade, alguma razão para gostar de estar no meio do mato.
Dica: ande (tecla Y, por padrão) nas cidades, tire o elmo para interagir com outras pessoas fora de batalha, tenha outras roupas para quando for encontrar pessoas em cidades, tavernas e afins. Afinal, mesmo o mais forte guerreiro cansa de andar de fullplate o tempo todo, não?

4 – Comandos ingame interessantes ou úteis
Nem sempre todos os emotes são úteis, ou utilizáveis. Depende muito da hora, e isso só a prática pode dizer. Mas é interessante já saber alguns básicos:
- /e ### => De longe um dos mais importantes. Ao usar o “/e”, tudo o que vc escrever depois é uma ação, aparecendo em laranja no chat aberto. Experimente!
- /s ### => É para falar em aberto, para todos ouvirem. É o momento onde tudo o que é falado todos ouvem, então tente manter-se no personagem sempre. Mesmo o uso de (()) deveria ser evitado aqui. Mas é a melhor forma de interpretar, pois a animação do personagem varia de acordo com a pontuação da frase.
- /y ### => Faz o personagem gritar o que você digitar. Além de mostrar o texto em vermelho, o raio de “audição” é maior, então mais gente saberá que você gritou, e isso pode chamar mais jogadores.
- [língua da raça] => Está nas opções de chat, na tela de chat mesmo. Você fala na língua da raça e só a sua raça entenderá o que está escrito.

5 – FAQ

5.1 – Como usar sobrenome, ou um nome que já existe no servidor?
Existem pelo menos dois addons tópicos de RP: FlagRSP e MyRoleplay. Cada um tem suas características, e aconselho pesquisar mais sobre ambos. O mais importante deles é que, além de serem os mais usados, eles conversam entre si. Então, se você tem um personagem chamado “Robert” no servidor, e gostaria de colocar o sobrenome “Plant” nele, pode fazer isso em qualquer um dos dois addons que, se mais alguém estiver usando, verá o nome do personagem como “Robert Plant”. Então, você pode até ter outro personagem chamado “Plant”, e colocar o prenome “Robert”, que dará como resultado o mesmo nome, para quem tem algum destes addons instalados.
Vale lembrar que o nome do personagem no servidor é o que importa para toda a mecânica do jogo, como correios, whisper e invite. Mas pelo menos, durante o RP, seu nome será o que está marcado no addon.

5.2 – Quero criar uma família. Como faço para ter o mesmo sobrenome?
Acho que, lendo o tópico anterior dá para ter uma idéia, certo?
Como casamentos não existem enquanto mecânica, todo ele deve ser representado. Existem diversos casos de casamentos in-game que ficaram ótimos, e foi tudo ajustado dentro do jogo, usando as mecânicas do jogo e com uma boa representação.

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